
Black Bile é um álbum solo de Zoran Dukić concebido como uma investigação estética da melancolia na história da música para violão. Tomando como ponto de partida o conceito ancestral da bile negra (melas chole), tradicionalmente associado ao temperamento melancólico, o programa articula obras de diferentes períodos e contextos culturais, evidenciando a permanência e a transformação dessa ideia ao longo do tempo.
O repertório abrange desde o Renascimento, com obras de John Dowland, passando pelo Barroco de Sylvius Leopold Weiss, até importantes contribuições do século XX, como Claude Debussy, Manuel de Falla, William Walton e Alan Rawsthorne. Complementam o programa peças centrais do repertório violonístico moderno, entre elas Choro da Saudade, de Agustín Barrios, e Oblivion, de Astor Piazzolla, em arranjo de Roland Dyens, que ampliam o diálogo entre tradição erudita e referências populares.
O álbum inclui ainda Cinema Paradiso, de Stephen Goss, obra que estabelece uma relação direta com a linguagem cinematográfica, e uma transcrição autoral de Melancholia, de Duke Ellington, evidenciando o interesse de Dukić por repertórios transversais e pela expansão dos limites expressivos do violão. Black Bile apresenta-se, assim, como um projeto de forte coesão conceitual, no qual interpretação, curadoria e reflexão estética convergem em um retrato consistente da melancolia como elemento central da experiência musical.

Duração total: 1h3min
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