
Cecilia Siqueira (Uruguai) e Fernando de Lima (Brasil) conheceram-se durante o 2º Concurso Internacional de Violão Pró-Música, realizado pelo SESC em Caxias do Sul, em 2001 — ocasião em que dividiram o primeiro prêmio. Desse encontro nasceu não apenas uma parceria artística, mas também o Duo Siqueira Lima, hoje aclamado por público e crítica pela combinação de virtuosismo técnico-interpretativo, carisma e uma linguagem que dissolve as fronteiras entre o erudito e o popular.
Em sua estreia na GuitarCoop, o duo apresenta um programa que gravita em torno do nacionalismo musical, movimento surgido em meados do século XIX, que incorporou elementos identitários, ritmos e melodias do imaginário popular às formas da tradição europeia. O repertório revela múltiplas facetas desse espírito, transitando entre Espanha, Brasil e Argentina.
De Enrique Granados, expoente do nacionalismo espanhol, o duo interpreta Valsas Poéticas, originalmente para piano, aqui em transcrição para dois violões de Sérgio Abreu. De Henrique Oswald, compositor celebrado por Heitor Villa-Lobos como o “mais admirável” do início do século XX, apresenta-se Il Neige (1902), em transcrição de Fernando de Lima.
A presença de Heitor Villa-Lobos reafirma a centralidade do violão na construção de uma linguagem autenticamente brasileira. O duo interpreta Lenda do Caboclo (1920), em arranjo de João Luiz, e realiza a primeira gravação da transcrição inédita das Bachianas Brasileiras nº 4 para dois violões, assinada por Fernando de Lima.
O diálogo com a música popular se amplia com Bebê, de Hermeto Pascoal, em arranjo de Sérgio Assad, e com duas das Quatro Estações Portenhas (1970), de Astor Piazzolla — Inverno Portenho (arr. Sérgio Assad) e Primavera Portenha (transc. Fernando de Lima).
Plural em estética e identidade, The Art of Duo Siqueira Lima é uma celebração da expressividade e do diálogo cultural. Mais que técnica, o que se ouve é a convergência de duas trajetórias, dois países e duas sensibilidades que se encontram em um mesmo acorde — transformando o amor entre os violões em linguagem universal, perpetuada no encontro com o ouvinte.

Duração total: 52min14s
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