
Neste álbum, Fabio Zanon apresenta um panorama essencial do nacionalismo musical espanhol em transcrições consagradas para violão, reunindo obras de Isaac Albéniz, Enrique Granados e Joaquín Malats — compositores que, embora não tenham escrito originalmente para o instrumento, moldaram decisivamente sua identidade sonora no repertório moderno.
Pianistas de formação, Albéniz e Granados integraram a geração romântica nacionalista espanhola e buscaram, em suas obras, uma linguagem profundamente enraizada na tradição ibérica. Ritmos de dança, inflexões modais, evocação do flamenco e texturas que sugerem punteados e rasgueados aproximaram sua escrita pianística do universo tímbrico do violão. Não por acaso, ainda em vida desses autores, a prática da transcrição para o instrumento já estava estabelecida — frequentemente com resultados que se tornaram mais célebres do que os próprios originais.
O programa inclui obras emblemáticas como Asturias – Leyenda, da Suite Española, op. 47, a Pavana-Capricho, op. 12, e peças das coleções España, op. 165, e 12 Piezas Características, op. 92, de Albéniz. De Granados, destacam-se páginas das 12 Danzas Españolas, entre elas a célebre Andaluza (Playera), além de transcrições associadas ao universo goyesco do compositor, como La Maja de Goya. Completa o repertório a Serenata Española, de Malats, obra que encontrou no violão uma dimensão expressiva particularmente convincente.
As versões interpretadas por Zanon dialogam com a tradição estabelecida por transcritores históricos como Francisco Tárrega, Miguel Llobet e Andrés Segovia, cujas adaptações consolidaram este repertório como parte central da literatura violonística.
Com rigor estilístico e refinamento técnico, Fábio Zanon evidencia como o violão se tornou veículo privilegiado da imaginação sonora espanhola, reafirmando a permanência e a vitalidade desse repertório no cenário internacional.
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Duração total: 53 min 37 s
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